Estudo autoral sobre o e-commerce da Growth Supplements: da pesquisa com usuários até um design system em Design Tokens, com escalas de cor, modo escuro e taxa de contraste documentada.
Para orientar nosso projeto, adotaremos uma abordagem amplamente reconhecida: o Double Diamond. Esta metodologia é particularmente eficaz em projetos de design UX/UI, como o que estamos prestes a explorar em nosso estudo de caso.
Nosso processo incluirá os seguintes elementos: pesquisa aprofundada, desenvolvimento do processo de interface, definição do processo inicial para o sistema de design e implementação das melhores práticas para realizar o Handoff. Esses pilares fundamentais garantirão a qualidade e eficácia de nossa entrega, atendendo às necessidades do projeto com excelência.
Razões para a Escolha da Growth. A escolha da Growth como foco deste estudo de caso foi baseada no fato de ser uma marca sólida que já conquistou uma posição proeminente no mercado, tornando-se uma referência pessoal na busca por suplementos e acessórios de treino ao longo do último ano.
Desafios no aspecto da experiência do usuário podem ser cruciais para o sucesso contínuo da empresa, especialmente considerando o uso crescente de dispositivos móveis para compras online.
O cenário do E-commerce no Brasil. Iniciando nossa pesquisa, foi possível identificar que o segmento de e-commerce brasileiro vem crescendo exponencialmente. Isso nos traz a necessidade de nos destacarmos frente à concorrência e oferecer uma experiência de usuário excepcional, conforme mostra uma pesquisa realizada pela Visa Consulting & Analytics.
empresas entraram para o e-commerce desde o início da pandemia.
Qual é a empresa Growth Supplements? Você a conhece? A Growth Supplements é uma empresa brasileira que fabrica e fornece suplementos alimentares. Em 2022, ela foi premiada como a melhor loja virtual do Brasil pelo 19º Prêmio NielsenIQ E-bit e reconhecida como uma das 100 melhores empresas em satisfação ao cliente pelo Instituto MESC.
A marca também se destaca por ter sido aprovada em testes de qualidade de suplementos brasileiros. Seu catálogo inclui proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais, e eles oferecem um serviço de nutricionista online para ajudar os clientes a escolher os produtos certos.
User Research — Hora de falar com nossos usuários. Research Tools: Google Forms

Essa é a hora de entendermos o que os usuários pensam e fazem em relação ao produto, por isso é uma ferramenta valiosa para adquirir insights qualitativos e quantitativos que podem enriquecer diversos estágios do processo de design.
Através da pesquisa, consegui aprofundar melhor meu entendimento sobre os desafios que os usuários enfrentam ao comprar suplementos on-line e suas experiências com outros sites do mesmo segmento.
Ao elaborar o questionário, tive o cuidado de evitar suposições e perguntas tendenciosas, garantindo assim que os dados coletados refletissem com precisão as experiências e necessidades dos usuários.
Perguntas:
Descobertas:
Através da pesquisa, foi possível identificar que 75% dos usuários acessam o site com um objetivo de compra definido, ou seja, o usuário não passa muito tempo navegando pelo site, por isso devemos ter uma home personalizada com fácil acesso aos produtos mais comprados.
Descobrimos também, que a principal motivação dos usuários do serviço é o custo-benefício do produto e a agilidade de entrega, complementados por um canal que seja claro e de simples navegação.
Análise da concorrência. Agora, vamos olhar com um pouco mais de profundidade para nossa concorrência, assim podemos identificar oportunidades para melhorar ou diferenciar o próprio produto. Ao entender o que os concorrentes estão fazendo bem e onde estão falhando, podemos identificar oportunidades para inovação e melhorias.
Os concorrentes diretos que analisamos incluem Blackskull, Max Titanium, Soldiers Nutrition, New Nutrition e Integralmédica. Além disso, consideramos o Mercado Livre como um concorrente indireto.
Com o objetivo principal de aprimorar a experiência do usuário, listamos alguns critérios para avaliar esses concorrentes:
Para otimizar a análise, utilizei uma escala de 0 a 5 para avaliar cada tópico, onde 5 indica que o site atende perfeitamente aos requisitos e 0 indica que o site não atende aos requisitos. Abaixo estão os resultados obtidos:

Resultado da análise: cada concorrente pontuado de 0 a 5 nos cinco critérios.
Durante nossa pesquisa, identificamos um aspecto interessante sobre o site da Growth Supplements. Ao contrário de seus concorrentes, o design do site não foi atualizado por um período considerável.
Isso indica que o site não está em sincronia com os avanços tecnológicos recentes, resultando em uma experiência de usuário menos responsiva do que o ideal.
Portanto, propomos a implementação de um Design Responsivo. Este processo envolve a adaptação do design do site para diferentes tamanhos de tela, garantindo uma experiência de usuário coesa e eficiente em todos os dispositivos.
Além disso, a organização e disposição dos elementos serão otimizadas para melhorar a navegação e compreensão dos usuários.
Crazy 8’s: Hora de gastar nossa caneta.
Crazy 8’s é uma técnica fundamental do Design Sprint. É um exercício rápido que desafia as pessoas a esboçar oito ideias distintas em oito minutos. O objetivo é superar a sua primeira ideia, frequentemente a menos inovadora, e gerar uma ampla variedade de soluções para o seu desafio.Google — Design Sprint Kit
Crazy 8’s: Como resultado, desenvolvi 8 layouts que me auxiliaram a identificar pontos-chave para iniciar a próxima etapa do nosso novo design da página inicial.

Os oito esboços do Crazy 8’s, feitos à mão em oito minutos.
Criação dos wireframes — Média fidelidade. Design Tools: Figma
Os wireframes são componentes essenciais nesta fase do projeto, atuando como o esqueleto do nosso novo design. Eles fornecem uma estrutura visual que nos auxilia a planejar a disposição de elementos e funcionalidades de maneira eficiente.
Iniciei o desenvolvimento de wireframes de média fidelidade utilizando o Figma, uma etapa crucial na preparação para a próxima fase da construção do design. Com os wireframes de média fidelidade, podemos testar rapidamente nossas ideias, concentrando-nos na estrutura e disposição dos elementos. Isso nos permite ter uma visão mais ampla e simplificada do resultado final.
Para facilitar a compreensão, em algumas áreas, adicionei texto para destacar as várias seções que planejamos incluir na página inicial.

Wireframe de média fidelidade da nova home, com as seções anotadas.
Wireframe de alta fidelidade. À medida que avançamos em nosso processo de design, chegamos a uma etapa que é, particularmente, a minha favorita: a criação de wireframes de alta fidelidade.
Nesta fase, cada detalhe é meticulosamente elaborado e cada elemento da interface é aprimorado. Nosso objetivo é não apenas criar uma experiência de usuário excepcional, mas também assegurar que a estética esteja em perfeita harmonia com a usabilidade.

Wireframe de alta fidelidade da home.
Iniciando um Design System. Desenvolver um Design System é vital para a consistência e eficiência no design. Ele permite a incorporação de melhores práticas e feedbacks, resultando em um produto final coeso e fácil de usar, além de economizar tempo e recursos. Existem várias abordagens para criar um Design System, como Atomic Design, Material Design, Foundation-Based e Design Tokens. Para nosso projeto, vamos usar Design Tokens.
Design Tokens cobrem uma variedade de propriedades de design, como cores, tipografia, espaçamento, sombras, tamanhos de ícones e muito mais. Eles são variáveis que armazenam informações de design, facilitando a transição do projeto para a equipe de engenharia.
Para construir um Design System escalável e funcional, é importante estabelecer esses tokens com base em boas práticas de design, considerando a identidade da marca.
Os Design Tokens são estruturados em três camadas:
Portanto, os Tokens Primitivos, Semânticos e Componentes são uma abordagem estruturada para organizar os design tokens, garantindo que eles sejam utilizados de maneira consistente e significativa em todo o sistema de design. Isso contribui para a flexibilidade, escalabilidade e coesão do Design System.
Escalas de Feedback.
Normalmente, usaríamos a cor verde para feedback positivo e vermelho para negativo. No entanto, como a cor vermelha pertence à marca, não queremos associar a identidade da empresa com algo negativo. Por isso, optamos por usar o laranja para feedback negativo.
Definindo nossas cores primitivas. Em relação às nossas cores primárias, adotaremos uma escala de 10 a 100. O valor 10 representa a proximidade com o branco e o valor 100 indica a cor mais próxima do tom preto.
Nesta etapa, é essencial considerar tanto os aspectos da identidade da marca quanto as demandas específicas do ambiente digital.
Para a Growth Supplements, incorporaremos as duas cores principais da marca, vermelho e azul. Levando em conta as necessidades do sistema, também adotaremos uma escala de cinza.
Esta escala de cinza será aplicada de maneira abrangente, abrangendo elementos como tipografia, bordas e outros aspectos que possam surgir durante o desenvolvimento.
Também estabeleceremos uma escala para feedback, abrangendo tanto feedback positivo quanto negativo, para garantir uma experiência do usuário completa e coerente.

As cinco escalas primitivas — vermelho e azul da marca, mais cinza, laranja e verde. Cada tom traz o nível de contraste que atinge, AA ou AAA. A escala laranja é a que substitui o vermelho no feedback negativo.
Modo Escuro. Ao construir o modo escuro, garantimos que ele contenha a mesma quantidade de cores que a paleta clara, refletindo as mesmas nuances e matizes. Durante esse processo, fazemos ajustes detalhados e, quando necessário, efetuamos pequenas adaptações nas cores para garantir que a experiência seja consistente e visualmente agradável em ambos os modos de exibição.

A paleta em modo escuro, espelhando a clara.
Taxa de Contraste. Ao trabalhar com cores, é importante lembrar que a acessibilidade é fundamental. Precisamos considerar a taxa de contraste das cores, representada pelos ícones AA e AAA, de acordo com as diretrizes da WCAG (Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web).
Essas diretrizes nos ajudam a garantir que as cores sejam escolhidas de forma a tornar o conteúdo digital amigável e acessível para todos, independentemente de suas necessidades visuais.

Cada par de cores documentado com o nível de contraste que atinge.
A entrega para engenharia não precisou de um documento à parte, porque a arquitetura de tokens já fazia esse trabalho.
Em vez de passar uma tela com um azul específico, o que se entrega é um botão principal que referencia um token semântico, que por sua vez referencia um primitivo. Quem implementa recebe nomes e relações — não valores soltos que se perdem na primeira mudança.
As três camadas funcionam como a documentação: o primitivo diz quais cores existem, o semântico diz o que cada uma significa, e o de componente diz onde se aplica. Trocar a cor da marca vira uma alteração num lugar só, em vez de uma varredura por todas as telas.
E a taxa de contraste documentada em AA e AAA fecha o pacote: quem implementa não precisa decidir se uma combinação passa no critério de acessibilidade — está anotado ao lado da cor.
A parte de design system deste estudo foi construída durante o Design System Advanced, bootcamp ao vivo de 16 horas que fiz entre 20 e 30 de setembro de 2023, com o instrutor Glauber Laender — ou seja, no meio do próprio estudo. É de lá que vêm a arquitetura em três camadas de tokens, a estratégia de escalas de cor e a atenção à taxa de contraste.
O que o curso cobriu:
O sistema foi construído até a documentação de tokens e contraste. Não houve implementação em código nem teste de usabilidade com o resultado final — o estudo termina no design entregue, não no efeito medido.
Registro isso porque um design system só prova seu valor quando um time usa. O que este trabalho demonstra é a construção: as decisões de estrutura, a resolução do conflito entre marca e semântica, e a documentação que torna a entrega utilizável por quem implementa.